Todo rio corre para o mar. As águas estão todas interligadas de alguma maneira. E milhares de formas de vida são dependentes dessas águas e de seus ciclos: sua poluição é um dos mais preocupantes problemas dos dias atuais.
A ONU, há algum tempo, já elabora iniciativas para combater a poluição dos oceanos por plástico, e, ao constatar que aproximadamente 80% da poluição marinha é originada nos rios, essas iniciativas estão se voltando cada vez mais à saúde e conservação das águas doces. Uma das iniciativas, por exemplo, é no Amazonas, com o projeto “Rios Limpos para Mares Limpos”. Segundo a própria instituição, no mundo, dez rios carregam sozinhos mais de 90% dos resíduos plásticos que acabam nos oceanos: o maior rio da Ásia, o Yangtzé (China), é responsável pelo transporte de 1.469.481 toneladas de lixo. Já o Indo (Índia) conduz 164.332 toneladas, o Rio Amarelo (China) 124.249 toneladas e o Nilo (Egito) 84.792 toneladas. Na África, o Níger (Guiné, Mali, Níger, Benim e Nigéria) deságua 35.196 toneladas de plástico no mar. Os números são realmente assustadores e algo precisa ser feito a respeito.

Aproximadamente 97,5% da água da Terra é salgada, e apenas 2,5% é doce. E a água dos rios e lagos corresponde a cerca de 0,3% do volume total de água doce do planeta (SHIKLOMANOV, 1998). A importância dos rios como fonte do recurso natural mais valioso, a água, é a mais evidente. Porém, para além do papel fundamental na sustentabilidade da vida, no abastecimento e equilíbrio dos ecossistemas, os rios são um imprescindível recurso para o equilíbrio das atividades econômicas – como na irrigação, na piscicultura, no setor industrial e de energia e no transporte hidroviário – , são peças fundamentais para a história, cultura e construção de identidades locais e regionais, além de possuírem um inesgotável potencial de lazer e recreação, proporcionando um contato com a natureza e o restabelecimento do vínculo das comunidades com o meio ambiente.
A qualidade da água dos rios, portanto, está diretamente interligada a todos esses fatores e, quando o lixo é despejado de maneira incorreta nesses locais, além de chegar até os oceanos, compromete totalmente essa qualidade. Esgotos, pesticidas, metais pesados e outros poluentes são diariamente conduzidos por cursos de água doce no Brasil até o litoral, causando danos ambientais de elevada gravidade. Há, portanto, necessidade urgente de ações regulares e efetivas para a recuperação das águas dos rios e para sua a conservação, de forma geral.
No Brasil, o Rio Paraíba do Sul corta três grandes Estados da Região Sudeste: São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Ele forma uma rede extensa, com diversos afluentes, passando por vários municípios desses Estados e compondo uma larga bacia hidrográfica de vital relevância ambiental, econômica e social. Para se ter uma noção, os principais afluentes do Rio Paraíba do Sul, pela margem esquerda, são: Rio Jaguari, que nasce em São Paulo; o Rio Paraibuna, que nasce no município de Antônio Carlos em Minas Gerais e, por sua vez, possui diversos afluentes que chegam até o Rio de Janeiro; o Rio Pomba, com 265 km de extensão; o Rio Muriaé, que se desenvolve no Rio de Janeiro em região plana, constituindo planície de inundação nas grandes cheias; pela margem direita, o Rio Piraí, também no Rio de Janeiro; o Rio Piabanha, que abrange 4 municípios fluminenses; e o Rio Dois Rios, formado pelo encontro das águas dos rios Negro e Grande.

Apesar de sua fundamental importância, o Rio Paraíba do Sul está poluído. Ainda que sua nascente esteja localizada em área de preservação ambiental, a cidade mais próxima a ela não possui estação de tratamento de esgoto e, portanto, dejetos são despejados em seu leito pouco depois de suas águas puras brotarem do chão. Segundo informações do Comitê de Integração da Bacia Hidrográfica, aproximadamente 90% dos municípios por onde passa o Paraíba do Sul não possuem tratamento sanitário e despejam pelo menos 1 bilhão de litros de esgoto puro, sem tratamento, em suas águas. E, com a crescente desvalorização do rio pela perda gradual do vínculo afetivo por parte da população – com sua história, paisagem e com suas águas – muito mais lixo, principalmente plástico, chega a esse leito e se acumula nessas margens.
Pedro Oliva, embaixador da Route Brasil, natural de São José dos Campos – SP, é atleta praticante de Kayak extremo, e sempre atuou pela limpeza dos rios. Ativista por essa causa ambiental, hoje desenvolve projetos ligados ao meio ambiente, esporte, ciência e sociedade. O mais atual e importante projeto dele está sendo desenvolvido justamente no Rio Paraíba do Sul. Já em 2015, Pedro esteve na linha de frente da execução do Projeto Cachoeiras, uma expedição pelo Paraíba do Sul durante dois meses, em caiaques, com uma equipe de análise, coletando dados para avaliação e monitoramento por especialistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e Universidade Federal de Itajubá (Unifei). Hoje, o Pedro vem somar junto à Route Brasil, com toda a sua experiência e seu conhecimento em matéria, exatamente nesse elo entre as águas doces e os oceanos. Um olhar sistêmico para o todo, pelo todo. O que vai nos permitir, juntos, impactar positivamente o planeta.
É ROUTE!